Onde estão os Budas?

Com nosso estado mental comum, não podemos perceber o corpo, a fala e a mente de Buda. Mas se considerarmos que a imagem de Buda é o próprio Buda e fizermos prostrações, oferendas e pedidos diante dela, nossas ações terão o mesmo valor ou mérito que teriam se estivessem sendo feitas na presença do Buda vivo. Buda Shakyamuni disse:

Hoje meus quatro discípulos e os outros me prestam oferendas pessoalmente. No futuro, muitas pessoas vão fazer oferendas com fé diante de uma imagem representando a minha forma. Essas ações têm o mesmo significado.

Visto que ambas ações têm o mesmo mérito e que seus efeitos amadurecidos são iguais, o mérito que acumulamos fazendo oferendas, com fé, diante de uma imagem de Buda não é inferior ao que acumularíamos fazendo-as diante de Buda em pessoa. Para nos convencermos disso, podemos recorrer a três argumentos.

Em primeiro lugar, visto que uma oferenda é, por definição, algo que deleita os Budas, podemos estar seguros de que, sempre que fizermos oferendas diante de uma imagem de Buda, todos os Budas dos três tempos e das dez direções ficarão radiantes.

Em segundo lugar, visto que os Budas possuem clarividências – tais como a clarividência do olho divino, a do ouvido divino e a de conhecer a mente alheia –, é certo que, sempre que fizermos oferendas diante de uma imagem de Buda, todos os Budas irão contemplá-las com sua clarividência do olho divino; sempre que cantarmos louvores a Buda, todos os Budas irão ouvi-los com sua clarividência do ouvido divino; e sempre que fizermos oferendas ou louvores interiormente, todos os Budas saberão disso com sua clarividência de conhecer a mente alheia.

Em terceiro lugar, visto que o corpo de um Buda não é obstruído por objetos materiais, podemos ter certeza de que os Budas virão à nossa presença sempre que fizermos prostrações ou oferendas com fé, ainda que não possamos vê-los porque as nossas mentes estão nubladas pelas delusões.

Algumas escrituras filosóficas ensinam que não há nenhum lugar onde não haja um Buda. De acordo com o mantra secreto, a mente e o corpo de um Buda possuem a mesma natureza; portanto, onde quer que esteja a mente onisciente de um Buda, ali estará seu corpo divino. Como o corpo e a mente dos seres comuns não possuem a mesma natureza, seus corpos não podem ir a todos os lugares aonde as suas mentes vão. Por exemplo, se pensarmos na Índia, nossa mente irá para lá, mas nosso corpo não. O corpo de um Buda irá espontaneamente aonde for sua mente. Logo, sempre que um Buda ouve as nossas preces, seu corpo vem à nossa presença. Se não o vemos é porque nossa mente é como uma janela com as venezianas fechadas.

Certa ocasião, no Tibete, Atisha estava em companhia de seus discípulos e de repente começou a sorrir com muita satisfação. Os alunos indagaram por que estava tão feliz e ele respondeu: “Agora mesmo, em Magadha, na Índia, meus discípulos estão fazendo oferendas e cantando louvores diante da minha estátua”. Se, por meio de clarividência, Atisha podia se deliciar com o canto dos discípulos, como duvidar que os Budas acolham os louvores, oferendas e pedidos que lhes fazemos com fé?

Fonte: CABF, pág. 37 (montar um altar …) de Geshe Kelsang Gyatso